Um dia destes, fui esperar a minha mais que tudo a uma aula de danças de salão.
Como cheguei antes do fim, fiquei a observar a aula.
A ouvir a professora, prendeu-me a sua forma de ensinar, a voz a sobressair no meio da turma, nem era fria nem misturava muita emoção, chamava atenção de todos os pormenores de uma forma simples directa e objectiva.
Mas o que me fez parar foi a dança propriamente dita, o que é necessário para se dançar.
Exige muita concentração, é preciso muita coordenação, equilibrio, indo mais longe, necessitamos de comunicar connosco.
A seguir vem o "outro", o par, e temos que dançar tendo em atenção os seus movimentos, a sua forma de estar. Já não bastava estar em equilibrio connosco, ainda temos que andar ao passo do outro, é necessário comunicar com o nosso companheiro.
Muitas vezes para uma bela dança, este par tem que se juntar a outros pares. Ora, tenho que comunicar comigo com o meu par e com o grupo.
Uma outra coisa que aguçou a minha curiosidade foi o tentar perceber porque que de há uns anos para cá tem crescido o número de pessoas que se interessa pelas danças de salão.
A minha imaginação a trabalhar, não pude deixar de associar outra ideia. Estamos na era da comunicação, onde comunicar é cada vez mais fácil, mas porque atalhamos caminhos, porque não percorremos todos os estágios, as pessoas comunicam cada vez menos, somos cada vez mais solitários.
A dança vai de encontro á necessidade básica, que é comunicar. Não é uma comunicação via net ou via móvel, onde as coisas ficam pela voz e pela imaginação, mas uma comunicação real, onde se percorre todos os estágios necessários. É completa.
Por isso toca a dançar.
Por isso toca a dançar.