Sou construtor Civil.
Hoje estive com um cliente meu que anda á dez anos a tentar construir uma casa.
Tem muito dinheiro.
Já começamos a casa em vários lugares.
A primeira vez, escolheu o sítio, mas, passados dias chegou á conclusão de que o sitio não servia, havia demasiados prédios em volta.
Da segunda vez escolheu um sítio mais isolado, lá começamos a construir.
Ao fim de um mês de trabalhos, desistiu porque o local não tinha bons acessos, disse-me para parar que aquele não era ainda o local certo.
Apesar de para mim estar tudo bem, eu continuava a ganhar o meu, não pude deixar de parar e pensar no desperdício que isto representava.
Enquanto esperava, deixei o meu pensamento vadiar.
As relações entre as pessoas.
Lembrei-me de como encaram as pessoas a vida, hoje em dia.
Hoje queremos fazer muitas coisas, mais do que as podemos, mais do que as que precisamos.
Idealizamos a nossa vida com base no que vem da televisão, do cinema e quase nunca partimos da nossa realidade.
Vem a desilusão.
De uma certa forma criamos expectativas a mais.
Somos mais individualistas, egoistas.
Começamos uma relação e atiramo-nos de cabeça, quando surgem as primeiras dificuldades a primeira coisa que nos vem á cabeça é desistir, afinal o que não faltam é oportunidades, alternativas e pessoas.
Errado.
A beleza da vida, está em construir alguma coisa juntos. Com os defeitos e qualidades do outro, eu assumo, é contigo que eu quero caminhar. Tu és a minha escolha.
Em ter alguém com quem parilhar as nossas duvidas, os medos, as dificuldades.
Em ter uma cara metade que tenha os mesmos objectivos e nos ajude a fazer o caminho.
Em cada relação que acaba ficam sempre bons momentos para recordar, é certo, mas, também fica um pouca de nós que já não voltaremos a dar.
Ficamos mais desconfiados, menos crentes, mais tristes, mais vazios.
Apetecia-me dizer ao meu cliente que nunca vai encontrar o sitio que ele procura, não existe, deve haver um aproximado.
A casa, como todas, no inicio, em construção podia ter mau aspecto, mas, com o andamento tomaría outra vista.
Que devia aproveitar os recursos.
Devia defenir os requisitos principais e escolher.
Depois...
Depois conforme as necessidades iria ajustando as coisas, afinal amanhã poderá ter alguns gostos diferentes.